Uma outra observação que me ocorreu esses tempos: a
conjunção “se” não somente é uma palavra inútil, como carrega em si uma
limitação implícita de pensamento.
Vamos
analisar a questão no contexto em que eu acredito que ela seja mais óbvia, que
é o futuro do subjuntivo: nesse tempo, o verbo é em geral precedido de “quando”
ou “se”, dependendo da postura que se tem em relação à
frase; “quando isso acontecer” vs. “se isso acontecer”. Ambas admitem
a possibilidade, mas a segunda inclui uma conotação adicional de
ceticismo. O fato é que o não acreditar em uma coisa não a torna menos
verossímil; enquanto que estabelecer um momento hipotético pra que ela
aconteça, mesmo que este nunca chegue, deixa que sua viabilidade se ateste por
si só (do contrário, expressões como “no dia que os porcos voarem” não
existiriam).
Ainda que não
seja muito comum, o “quando” funciona melhor nos outros tempos verbais,
também: “se tivesse acontecido” poderia sempre ser substituído por “quando
tivesse acontecido”, ainda que uma ou outra alteração sintática se fizesse
necessária. Sob quaisquer circunstâncias, essa troca dá uma dimensão ao mesmo
tempo mais abrangente e mais neutra ao discurso; não existe situação em que
o “se” conjunção seja absolutamente indispensável.
O que é no
mínimo curioso, considerando o quanto a palavra é emblemática da abertura de
possibilidades, do desafio a ideias pré-concebidas e, por que não?, da
esperança face ao improvável. Se apenas a linguagem fosse uma coisa lógica, né?
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