Tradição


Particularidade interessantíssima tinha o temól, idioma mencionado em algumas poucas fontes literárias e explicado em menos fontes ainda: as chamadas “mutações sintáticas”. Isso porque, diferentemente daquelas que ocorrem nas línguas célticas, desencadeadas por termos específicos, em temól elas eram regidas pela sintaxe.
A ordem das palavras nessa linguagem era muito livre, permitindo quase qualquer combinação; entretanto, uma tradição poética popularizou o OVS (com quaisquer complemento, mesmo orações subordinadas, vindo sempre após o sujeito), considerado mais “sonoro”, o que acabou por influenciar profundamente a gramática. O motivo é que verbo, objeto e sujeito possuíam sufixos mais ou menos estáveis cada um (no caso dos verbos, o tempo e o modo eram definidos mediante sufixos, prefixos e o auxílio de advérbios; contudo, o “último” sufixo, a terminação verdadeira da palavra, que a definia como o verbo, era, como se verá abaixo, sempre a mesma), portanto, em uma ordem fixa, cada palavra era afetada pela anterior (nos sândis) de forma previsível. Assim, as mutações tornaram-se regra, mesmo depois de os sufixos terem se alterado.
Os três sufixos eram: -(a)h /(a)h/, indicando o objeto, que se desenvolveu em -á /a:/ ou, no caso de palavras que naturalmente terminassem em vogal, um prolongamento na duração desta, por alargamento compensatório; -s /s/, terminação invariável de todos os verbos, que se fortificou em -t /t/; e -í /i:/, adicionado ao sujeito da oração, que mais recentemente passou a modificar as vogais da palavra de forma semelhante ao umlaut das línguas germânicas, tendo ele próprio desaparecido.
-(a)h afetava a palavra subsequente de duas maneiras possíveis: se esta começasse em consoante, o /h/ sofreria elisão e, para compensar o espaço perdido, a letra seguinte seria geminada; mas, caso começasse em vogal, a consoante, pelo contrário, se fortificaria em kh- /x/. De forma semelhante, o sufixo /s/ passava por debucalização para /h/, assim dessonorizando a consoante seguinte (caso esta já fosse surda, não haveria mudança, e o /h/ seria pronunciado normalmente, podendo mesmo ser palatalizado para [ç] nas cercanias de uma vogal alta); ou, no caso de o próximo termo iniciar em vogal,  ele sofreria sonorização, tornando-se z- /z/. -í meramente palatalizava o fonema seguinte, fosse este consoante ou vogal.
Uma frase simples pode servir de modelo para que esses três fenômenos possam ser percebidos. “A voz do Imperador derruba exércitos” pode ser traduzida de inúmeras formas diferentes, por exemplo:

Éroná kkortot fýr mja Taus. (na ordem original)
[e:rona: ‘k:ortot fy:r mja taws]

ou

Výr mma Taus h-kortot írené. (mesmo o sufixo do objeto é palatalizado)
[vy:r m:a taws ‘hkortot ‘i:rene:]

ou

Ma Taus vvýr z-éroná kjortot.
[ma taws v:y:r ‘ze:rona: ‘cortot]

ou

Kortot kh-éroná mha Taus vjýr.
[‘kortot ‘xe:rona: m̥a taws vɥy:r]

ou muitas outras combinações possíveis.

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